Catarinense lança livro sobre cinema e jazz custeado pelo governo de SC

 
Obra de Carlos Holbein Menezes foi contemplada pelo programa Cópias Sem Custo

Renê Müller  |  rene.muller@diario.com.br

CLICRBS

Professor de Química aposentado, Carlos Holbein Antunes de Menezes guardou sua obra Jazz, Cinema & Utopia por quatro anos numa gaveta. Foi o primeiro escritor contemplado no programa Cem Cópias sem Custo — impressão inicial do livro foi custeada pelo governo do Estado, por meio da Imprensa e Editora Oficial de Santa Catarina (Ioesc).

É a primeira obra do projeto e a estreia dele como escritor. A paixão pelas letras é antiga. Sobrinho do escritor Holdemar Menezes, Holbein, nascido no Ceará, relembra quando, vinha passar férias com o tio em Santa Catarina.

— Chegava aqui e a primeira coisa que ele fazia era separar 30 livros para mim. É o tipo de coisa que nos faz adquirir o gosto pela literatura — explica.

O bom é que não há nada de difícil em Jazz, Cinema & Utopia. É uma seleção de textos sobre filmes e discos de jazz. A intenção de Holbein não foi produzir um guia, e sim criar uma crônica da vida. Filmes servem para relembrar histórias antigas, amores do passado, até mesmo situações mais dramáticas pelas quais passou ou poderia passar. É um forma de “expiação”, como destaca.

— As pessoas se identificam com isso — afirma.

Assim, as crônicas são sempre escritas na primeira pessoa do singular, algo “mais íntimo e convidativo”, como acrescenta o escritor. Algumas passagens fogem de qualquer padrão “resenha”, criando um universo pessoal.
“Olha, confesso a vocês: que a minha namorada não saiba, mas ninguém sussurrará no meu ouvido como Billie! Se você, amigo leitor, ainda não teve a felicidade de ouvir Billie Holiday cantar Sophisticated Lady, então, a sua vida está incompleta. Nada teve sentido e os seus olhos ainda não brilharam”, escreve sobre o CD Songs of Lost Love, de Billie Holiday.

As críticas dos filmes servem para para colocar a vida em revista.Ao escrever sobre Antes da Chuva, cria uma carta à Zamira, a personagem interpretada por Labina Mitevska. Apresenta à personagem os versos de O Mundo é um Moinho, de Cartola.

“Pois é. Sem dúvida alguma, foi uma lástima você não ter ouvido esses versos. Saiba, então, Zamira: Cartola compôs essa música para demover o desejo da filha de sair de casa precocemente. E ele conseguiu! Se você tivesse sido acalentada por essa melodia, quem sabe pudesse compreender e perdoar o duro destino que a vida estava a lhe reservar? No entanto, a dor que Cartola sentiu não pode ser comparada à sua. Lá, isso não. Ainda que toda dor seja triste, pois dor é sempre dor, o certo é que o seu infortúnio bateu mais fundo”, escreve.
Lei foi criada em dezembro de 2009
O programa Cem Cópias sem Custo surgiu de lei criada pelo então deputado estadual Jorginho Mello (PSDB), na condição de governador interino, em dezembro de 2009. Conforme a lei, a Ioesc imprime 130 cópias de cada obra, sendo 30 exemplares distribuídos para escolas e os outros 100 doados ao autor.

O livro está à venda nas livrarias Catarinense da Felipe Schmidt e do Beiramar Shopping, na Paper Moon do Centrinho da Lagoa e na livraria do Centro de Convivência da Universidade Federal de Santa Catarina. Os textos de Holbein também podem ser lidos no site http://www.poltronaespecial.com.br/

Jazz, Cinema & Utopia
Carlos Holbein. Dioesc.
152 págs
R$ 36.

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